Extrato de:
"Roberto Cabot -
um rebelde contra a Pureza "
por Noemi Smolik
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" Cabot transforma a grade mondrianesca, enrijecida por seus requerimentos absolutos, numa rede que é elástica, que se expande e volta a se retrair, numa rede que se propaga em forma de onda pelas paredes do espaço. Essa rede nem estrutura o espaço, nem o limita. Como uma teia, cada linha se expande pelas paredes, simulam depressões no espaço onde não às há, e de modo inverso, sobrepõe-se às existentes. Elas criam um espaço que não é estático nem finito. Como na vida quotidiana, esses espaços fluem uns nos outros, mudando inesperadamente de direção. A ilusão domina o espaço. Uma câmera conectada a um computador e à Internet fotografa o observador, essa imagem é projetada na parede na entrada da galeria, de modo que o observador só se reconhece na foto projetada ao dirigir-se à saída. Mas, onde se encontra a câmera? E, em que espaço o observador foi fotografado? O espaço vivido, real, transforma-se em virtual, o virtual amplia o real. Estes também fluem um no outro. A câmera, um dispositivo técnico que foi inventado para objetivar o mundo e dividi-lo em suas partes elementares, participa aqui de um jogo que tem por objetivo produzir uma ilusão.
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Fazia parte das convicções da modernidade européia dos anos 60 e 70 do século passado a idéia que os objetos de arte não deviam mais ser produzidos manualmente, mas que tinham que ser produzidos industrialmente por dispositivos técnicos à altura do padrão tecnológico da época, seja por uma câmera ou por outra máquina. O que era feito com a precariedade da mão era considerado anacrônico. As caixas, produzidas industrialmente, do artista norte-americano Donald Judd pareciam ser imensamente superior. A partir desse ponto de vista, os barracos de Oiticica eram também uma rebelião contra essa visão dominante da modernidade ocidental. Também Cabot se dedicou, após as suas primeiras experiências com a pintura, à máquina de seu tempo, o computador. Depois de vários anos passados nos espaços virtuais volta a pegar no pincel, sem porém, dar as costas para o computador. Aqui também toma o caminho da interpenetração do manual com a maquinal para tornar possíveis novas, inesperadas experiências."
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